História da Ordem dos Farmacêuticos

A história do associativismo farmacêutico em Portugal nasce no contexto de um movimento de farmacêuticos contra o Físico-mor, que era quem, por nomeação do rei, superintendia os assuntos relacionados com a saúde. Este detinha o poder nas questões de admissão à profissão, de inspeção às farmácias e de marcação dos preços dos medicamentos, sendo a sua atuação muitas vezes criticada pelos farmacêuticos.



Em 1834 um grupo de farmacêuticos de Lisboa, com ideais liberais, subscreveu uma petição pedindo a suspensão das inspeções do físico-mor, a liberalização do preço dos medicamentos e a reforma da legislação sobre o exercício farmacêutico. Após terem conseguido a suspensão do Físico-mor fundaram a Sociedade Farmacêutica de Lisboa, a primeira associação de farmacêuticos criada em Portugal, mudando logo depois o seu nome para Sociedade Farmacêutica Lusitana. Os seus primeiros dirigentes foram José Vicente Leitão (Presidente), José Dionísio Correia (1º Secretário) e António de Carvalho (2º Secretário).

Logo no início da sua atividade, a Sociedade Farmacêutica Lusitana promoveu a criação do Montepio Farmacêutico (1838-1862), uma das primeiras associações mutualistas em Portugal, da Classe Farmacêutica (1885-1886) e da União de Farmacêuticos de Braga (1899-1933), associações

de pequenas dimensões cujo raio de ação se centrava na cidade de Braga. Em 1900 foi criada a Associação de Farmacêuticos Portugueses, cuja atividade durou até 1933, e em 1924 foi constituída em Coimbra a Associação dos Farmacêuticos do Centro de Portugal.

Em 1935, e por imposição do Estado Novo, todas estas associações foram integradas, no Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, criado por alvará de 27 de março de 1935, e cujo primeiro presidente foi Emílio Fragoso.

 

Sendo comum o objetivo que presidia a todas estas associações - a luta contra o exercício ilegal da farmácia - o seu papel foi determinante no processo de “cientificação da farmácia” e da consequente elevação do estatuto profissional do farmacêutico, bem como nas diversas transições da farmácia verificadas nos séculos XIX e XX. Refiram-se, nomeadamente, a passagem de boticário, produtor de medicamentos, para farmacêutico e da farmácia enquanto arte para a ciência farmacêutica ou da botica para a farmácia.

 

Em 1972, a publicação do Decreto-lei n.º 334/72, de 23 de agosto, determinou a extinção do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, ao qual sucedeu a Ordem dos Farmacêuticos.